Após dizer que “romaria” `PF é “constrangedora”, Ciro pede para visitar Lula na cadeia

Na terça-feira, o ex-ministro havia afirmado que a “romaria” de políticos à carceragem da Polícia Federal em Curitiba é algo “meio exótico” e “muito constrangedor.

O pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes ingressou, juntamente com os presidente e vice-presidente do PDT, Carlos Lupi e André Figueiredo, com pedido de autorização para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Os três se apresentaram como amigos de Lula e enviaram a solicitação à 12ª Vara Federal de Curitiba.

Ciro, Lupi e Figueiredo argumentam que não apresentaram qualquer risco ao normal funcionamento da sede da PF e solicitam a flexibilização da visitação a Lula. O ex-presidente cumpre pena de 12 anos após ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) no processo do triplex de Guarujá (SP).

Na última terça-feira, em entrevista à rádio CBN, Ciro havia respondido de forma categórica que não visitaria Lula na carceragem. “Você tem regras na carceragem. Transformar a carceragem da Polícia Federal em um lugar de romaria política parece ser meio exótico. Tudo isso é muito constrangedor”. No mesmo dia, o governador cearense Camilo Santana (PT) integrou comitiva de gestores estaduais que tentou encontrar o ex-presidente, mas não teve autorização. Então, os governadores deixaram carta para Lula. Camilo reclamou ter ficado indignado por ter sido impedido de fazer a visita.

A ausência de Ciro no ato realizado antes da prisão de Lula, no último sábado, 7, foi criticada pelo pré-candidato do Psol a presidente, Guilherme Boulos.

Aparentemente, a opinião de Ciro sobre o assunto mudou. Os pedetistas alegam que o pedido deles para visitar Lula é diferente do grupo de governadores do Nordeste que tentou visitar Lula e teve autorização negada pela juíza Carolina Moura Lebbos. Além disso, argumentam que a visita é um direito inalienável do condenado, sendo dever do estado promover o respeito à dignidade humana.

Ao negar a visita dos governadores na terça-feira, 10, Lebbos decidiu expressamente que “não há fundamento para a flexibilização do regime geral de visitas próprio à carceragem da Polícia Federal”. Além disso, ela destacou a decisão do juiz Sérgio Moro de que Lula não deveria ter privilégio de visitações, “a fim de não inviabilizar o adequado funcionamento da repartição pública, também não se justificando novos privilégios em relação aos demais condenados”.

Os políticos alegam que isso seria uma violação da Convenção Americana de Direitos Humanos, da Constituição Federal e da Lei de Execuções Penais.

Agência Estado \ O Povo

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