SÍRIA: Um conflito que já dura mais que a Segunda Guerra Mundial

Por: Maria Lopes

Antes do início do conflito, muitos sírios se queixavam do alto nível de desemprego, corrupção em larga escala, falta de liberdade política e repressão pelo governo Bashar al-Assad – que havia sucedido seu pai, Hafez, em 2000.

Em março de 2011, foram presos e torturados pelas forças de segurança adolescentes que haviam pintado mensagens revolucionárias no muro de uma escola na cidade de Deraa, no sul do país, fato que gerou protestos por mais liberdades no país, inspirados na Primavera Árabe – manifestações populares que naquele momento se estendiam pelos países árabes.

Quando as forças de segurança sírias abriram fogo contra os ativistas – matando vários deles -, as tensões se elevaram e mais gente saiu às ruas. Os manifestantes pediam a saída de Assad. A resposta do governo foi sufocar as divergências, o que reforçou a determinação dos manifestantes.

À medida que os levantes da oposição aumentavam, a resposta violenta do regime se intensificava. Simpatizantes do grupo antigoverno começaram a pegar em armas – primeiro para se defender e depois para expulsar as forças de segurança de suas regiões, aumentando a violência no país.

Em 2012, os enfrentamentos chegaram à capital, Damasco, e à segunda cidade do país, Aleppo.

O conflito já havia, então, se transformado em mais que uma batalha entre aqueles que apoiavam Assad e os que se opunham a ele – adquiriu contornos de guerra sectária entre a maioria sunita do país e xiitas alauítas, o braço do Islamismo a que pertence o presidente. Isto arrastou as potências regionais e internacionais para o conflito, conferindo-lhe outra dimensão.

Em junho de 2013, as Nações Unidas informaram que o saldo de mortos já chegava a 90 mil pessoas. Desde 2014, os EUA, junto com o Reino Unido e a França, realizam bombardeios aéreos no país, mas procuram evitar atacar as forças do governo sírio.

Já a Rússia lançou em 2015 uma campanha aérea com o fim de “estabilizar” o governo após uma série de derrotas para a oposição. A intervenção russa possibilitou vitórias significativas das forças sírias. A maior delas foi a retomada da cidade de Aleppo, um dos principais redutos dos grupos de oposição, em dezembro de 2016.

Usando a desculpa que a Síria teria usado armas químicas e atingido muitas crianças, sobretudo, os Estados Unidos entram no conflito que já se consolida como uma das maiores guerras da humanidade. Saldo negativo de mais de 400 mil mortos, incluindo civis inocentes e crianças.

Na quinta feira passada, os Estados Unidos resolvem bombardear a Síria, ao que Trump justificou chamando Assad de “ditador” por ter lançado um “ataque com armas químicas terríveis contra civis inocentes”.

Não é isso que boa parte do mundo acredita e a Rússia se manifestou, reconhecendo que os aviões sírios atacaram Khan Sheikhoun, mas diz que a aeronave atingiu um depósito que produzia armas químicas para serem usadas por militantes no Iraque. Não foi um ataque premeditado como fizeram os norteamericanos ao povo sírio.
O governo russo condenou o ataque americano, classificando o bombardeio com uma “agressão contra uma nação soberana”.

Dmitry Peskov, porta-voz do governo, disse que a ofensiva dos EUA “causa um dano significativo às relações entre Washington e Moscou”. Segundo ele, o presidente Vladimir Putin vê o ataque como “uma intenção de distrair o mundo pela morte de civis provocadas pela intervenção militar no Iraque”.

O Presidente Assad negou a acusação do uso das tais armas e culpou os rebeldes (grupos mercenários provavelmente financiados pelos americanos) sem nenhum elo de cidadania com a pária síria.

Ainda sobre o fato, Assad concordou em destruir o arsenal químico, afirmando: “Reforço mais uma vez que nosso Exército nunca usou e não usará armas químicas”, disse ele. “Não apenas contra nossos civis, nosso povo, mas também não usará armas químicas contra os terroristas que estão atacando e matando nossos civis com seus morteiros.”

Segundo a ONU, até fevereiro de 2016 mais de 5 milhões de pessoas haviam fugido do país – a maioria mulheres e crianças.

Hoje a síria está devastada e sua história é marcada por um rio de sangue que jorra, ainda mais agora com a mão podre dos Estados Unidos com a desculpa de que busca a pacificação e a derrubada uma ditadura.

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