Esta era a realidade para pessoas no Ceará, no terceiro trimestre, período em que a taxa de desemprego avançou 0,4% em comparação ao trimestre anterior, segundo IBGE. Estagnação é inesperada, avalia analista.

Conhecidamente um período mais otimista para o mercado de trabalho nacional, o segundo semestre pode não apresentar uma perspectiva tão positiva para a população desocupada do País em 2019. Praticamente estável em relação ao ano passado, o número de desempregados no Ceará se manteve no mesmo patamar em relação a 2018, fazendo com que mais de um terço das pessoas à procura de um emprego (36,4%) esteja há mais de um ano buscando a recolocação. Ao todo, são 467 mil desempregados no Estado. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada, ontem (19), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento ainda aponta que, do total da população desocupada, pouco mais de um quarto (25,5%) está procurando emprego há mais de dois anos, o que equivale a 119 mil pessoas. A maior parcela em busca de uma oportunidade (48,4%) está de um mês a um ano sem emprego, o que, em números absolutos, representa 226 mil pessoas.

De acordo com Mardônio Costa, analista de mercado de trabalho do Sistema Nacional de Emprego (Sine) do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), os números são preocupantes, pois refletem uma estagnação inesperada. Ele explica que, normalmente, o segundo semestre, pelas festas de fim ano (Natal e Réveillon), acaba apresentando números melhores referentes à geração de emprego.

Contudo, os números do terceiro trimestre de 2019 não indicaram essa evolução, e o número de desocupados no Ceará permaneceu praticamente estável. Conforme o IBGE, frente ao segundo trimestre deste ano, a taxa teve leve alta de 0,4 pontos percentuais, passando de 10,9% para 11,3%.

Em relação ao terceiro trimestre de 2018, a pesquisa também revelou um acréscimo do número de desocupados, mantendo o parâmetro dentro da estabilidade estatística. Nesse período, os desocupados passaram de 10,6% para os 11,3% registrados no terceiro trimestre de 2019.

Análise

“Esse resultado tem alguns aspectos que temos de considerar. O desemprego no Estado vem apresentando taxas de dois dígitos desde o primeiro trimestre de 2016, ou seja, são 15 trimestre consecutivos, e foi alcançando o recorde em 2017. Hoje, nós estamos com um número de 11,3%, que não cedeu muito”, disse Costa.

“O patamar de desemprego representa o baixo nível de atividade econômica, a falta de investimentos e o crescimento do mercado informal. O Ceará tem até apresentado números acima da média nacional, mas isso não tem sido suficiente para reverter o quadro do desemprego”, completou.

No Ceará, segundo Costa, a cada 100 trabalhadores, 55 estão em regimes informais, como autônomos ou sem carteira de trabalho. O dado representa estabilidade ante o patamar registrado em 2018.
Via Diário do Nordeste