Imagine-se num baile de formatura, cheio de pompas e de orgulhosos olhares. Mais ainda, imagine-se um dia após a solenidade de formatura do seu filho, de algum outro parente ou amigo – num ambiente de patriotismo, com a execução do cântico do Hino Nacional Brasileiro, da maravilhosa canção Fibra de Herói e de memorável performance, de quase dez minutos, com evoluções de marcha à pé firme, sem comando, executadas por mais de cem garbosos e pujantes concludentes do Ensino Médio de uma escola pública brasileira. Esse ambiente, do qual tive a honra de fazer parte, como assistente e professor homenageado, existe e está perto de nós, mais perto do que imaginamos. Vivenciei todas essas emoções de patriota, educador e cidadão no Colégio da Polícia Militar de Juazeiro Coronel Hervano Macêdo Júnior, no último dia 26 de dezembro do ano de 2017.

Com apenas dois anos de fundação, o Colégio já é referência na Região do Cariri, com premiações em olimpíadas nacionais e internacionais; com alunos aprovados em concursos e cursos tradicionais do país. Para o último processo seletivo de admissão – uma das características das escolas militares –, foram 5.883 candidatos disputando 370 vagas. A estrutura física da escola anterior não foi alterada. O material humano da instituição, com 62 professores civis, 16 funcionários apoiadores, conta com apenas 20 militares da caserna. Portanto, o que mudou? Como uma estrutura inalterada fisicamente e dispondo dos mesmos professores, consegue, em tão pouco tempo, mudar a realidade de jovens e de famílias? O que há nas escolas militares que tanto atraem pais e jovens? Fica a reflexão.

Escolas deveriam formar cidadãos. Cidadania impõe que exerçamos direitos e deveres. Para a persecução desse tênue limite entre o direito e o dever, há que se falar em obrigações, aconselhamentos, punições e correções – tudo dentro de limites pedagógicos que não podem, entretanto, deturpar o caráter daquele que se forma, destruindo possibilidades de retificações posteriores. Para cada dever exercido, a possibilidade de se pleitear um direito. Fala-se em demasia em direitos, em liberdades, em igualdades; esquece-se, entretanto, que o claustro é mais cômodo que a liberdade. O homem que está assustadora e perigosamente livre, quando mal orientado, corre o risco de criar monstros dentro de si, de cometer as mais inimagináveis atrocidades… Tudo em razão de limites que não foram impostos no momento certo, na família e na escola.

A realidade das escolas militares está ressurgindo. No estado do Ceará, vários municípios protocolaram solicitações junto ao governo do estado nesse sentido, incluindo a cidade de Iguatu. Que venham mais colégios militares e que nossos jovens tenham mais essa possibilidade de ensino, noutra estrutura educacional. Juntos, escolas civis e militares, trocando experiências, podem transformar a atual realidade educacional brasileira, num modelo misto, compartilhado e exitoso.

*Nijair Araújo Pinto – Ten Cel QOBM – Cmt do 4º GB – Iguatu