Apesar de ser uma terapia milenar, a acupuntura tem ganhado cada vez mais atenção na contemporaneidade. Com discussão sobre práticas integrativas do Sistema Único de Saúde (SUS), entre outras questões, a Associação Brasileira de Acupuntura (ABA) realiza até domingo, em Fortaleza, o 13º Congresso Brasileiro da especialidade. A técnica consiste na estimulação de pontos do corpo, mais tradicionalmente por meio de agulhas, que têm efeitos benéficos ao paciente.

Segundo Daniel Miele Amado, coordenador da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Ministério da Saúde, a terapia deixou de ser uma prática alternativa para de fato complementar a rede.

“O objetivo das pratica integrativas é ampliar o olhar dos profissionais sobre o adoecimento e aumentar as opções terapêuticas que a gente tem para o cuidado da população, além de perceber o tratamento de forma integrada”, explica.

Reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a acupuntura é a mais utilizada nos 16 mil estabelecimentos de práticas integrativas de saúde do SUS, sendo cada vez mais vista como uma aliada nos suportes disponibilizados à população. “A acupuntura tem pelo menos cinco milhões de anos, alguma coisa que dura tanto tempo é porque efetivamente funciona. Hoje é um sistema de prevenção, profilaxia e cura da saúde. Um dos tratamentos mais abrangentes do planeta”, define Nilson Leite, coordenador do congresso.

Daniel Miele, que compõe o corpo de profissionais presentes no congresso, ressalta que a resposta efetiva aos tratamentos pode gerar economia para o sistema de saúde.

“O uso de práticas integrativas torna os serviços mais resolutivos. Ele atende melhor o paciente, com mais qualidade, e traz uma economia no sistema. Porque quando isso é mais efetivo você consegue também tirar alguns mendicamentos que não são necessários, ou quando você é mais relutivo deixa de usar tantos exames complementares, por exemplo”.

Ele destaca ainda que o uso de auriculoterapia no tratamento dos efeitos colaterais da chikungunya foi um dos importantes exemplos dos investimentos no uso de práticas integrativas. Os estudos foram do Grupo de Atenção Integral e Pesquisa em Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa (Gaipa), ação de extensão do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Ceará (UFC), que avaliaram a eficiência da auriculoterapia no tratamento da dor e da incapacidade dos pacientes com febre chikungunya.

O método da medicina alternativa consiste em um tipo de acupuntura em pontos das orelhas, sem a utilização de agulhas. Nas primeiras sessões, pacientes já apontaram melhoras significativas nos sintomas.

AGENDA

Entre outros temas, o congresso aborda a relação da acupuntura com fertilidade, gestação e o parto humanizado; e os usos no esporte e no transtorno depressivo.

NA PRAIA

A programação do Congresso Brasileiro de Acupuntura, que começou ontem e segue até domingo no Ponta Mar Hotel, em Fortaleza, tem atividades abertas na praia às 7 horas da manhã e pode ser consultada aqui.

Fonte: O Povo