“Quem aqui quer ser presidente?”, perguntou o empresário Jorge Paulo Lemann, segundo homem mais rico do país, em julho de 2016 a um salão com cerca de 300 pessoas. A ocasião era o encontro anual de uma rede de lideranças criada pela fundação que leva seu nome.

Entre os presentes, cerca de uma dúzia levantou a mão admitindo o desejo ambicioso. Quase três anos mais tarde, ao menos cinco deles já assumiram cadeiras na Câmara ou em assembleias legislativas nos estados.
Em comum, além de terem estudado em universidades de elite no exterior com bolsa e não terem experiência política prévia, esses parlamentares estão abaixo da média de idade das casas em que atuam (na Câmara Federal é de 49 anos), se declaram brancos, se engajaram em movimentos de renovação política, como o RenovaBR e o Acredito, e tendem a priorizar pautas voltadas à educação — embora a perspectiva deles sobre o tema não seja necessariamente a mesma. No Congresso, as apostas de Lemann têm se mostrado participativas em comissões, realizaram processos seletivos para formarem seus gabinetes e lançaram aplicativos para que seus eleitores acompanhem as votações.

Os cinco se candidataram por partidos diferentes e tendem a colaborar entre si no Legislativo. Felipe Rigoni (PSB-ES) e Tabata Amaral (PDT-SP), por exemplo, entraram com um projeto para derrubar o decreto do governo que flexibiliza porte de armas e com uma ação popular pedindo a anulação dos cortes nos repasses para universidades federais.

Também formaram uma comissão para a fiscalização das atividades do MEC (Ministério da Educação). Há divergências, no entanto, em termos ideológicos. O deputado estadual Daniel José (Novo-SP), por sua vez, diz apoiar o corte do orçamento para o ensino superior, embora defenda que isso seja feito de forma gradual. “Somos todos próximos. Encontramos Encontramos, conversamos, tomamos café. Apesar de pensarmos de forma diferente, temos valores que unem a gente”, diz.

As críticas por ligar-se a um bilionário

A associação com o empresário, dono de um patrimônio de US$ 23 bilhões segundo a revista Forbes, rende críticas a eles de todos os pontos do espectro político. Ao UOL, os parlamentares chamaram as críticas de “balela” e “teoria da conspiração”.

“No meu caso, ela vêm dos dois lados”, diz Tabata, que canaliza ataques desde que seu mandato ganhou visibilidade com os questionamentos feitos por ela ao então ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues. “Quando o MBL [Movimento Brasil Livre] ou os ‘bolsomínions’ fazem vídeos falando que o Jorge Paulo Lemann é um comunista globalista, que eu sou financiada por ele, ou quando o pessoal de extrema esquerda faz vídeo falando que eu sou financiada pelos bancos, porque eu sou parte dessa rede, você vê que são argumentos completamente contraditórios. Eles são motivados em parte por ignorância, em parte por um incômodo que as pessoas têm ao não conseguirem me rotular”.

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