Não é só o primeiro escalão do Governo Bolsonaro que aguarda mudanças nos cargos de comando. Em órgãos da administração federal, de menor visibilidade, há também um clima de dança das cadeiras, dando margem a desgaste político e gerando até intervenção do Palácio do Planalto.

O presidente Jair Bolsonaro reavalia a nomeação do publicitário bolsonarista Luiz Galeazzo para o comando da Diretoria de Conteúdo e Gestão de Canais Digitais da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom).

A polêmica criada com a divulgação de fotos íntimas do publicitário pelo deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) causou mal-estar no Governo Federal, que congelou a indicação e passou a buscar outros nomes para o cargo.

Desde as postagens feitas pelo congressista na quarta-feira (5), incluindo imagem do influenciador digital com duas mulheres nuas, a equipe do presidente recebeu reclamações de deputados e líderes evangélicos.

Galeazzo foi convidado para a função pelo chefe da Secom, Fabio Wajngarten. O publicitário já teria entregue seus documentos ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para que a Pasta ministerial faça a análise de seus antecedentes, inclusive criminais, para viabilizar a nomeação.

Regina

Já a Secretaria Especial da Cultura mudará de comando mais uma vez, de forma provisória, antes da atriz Regina Duarte assumir definitivamente a área. Na sexta-feira, o ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antonio, anunciou, em nota, a exoneração de Janicia Silva, conhecida como pastora Jane, da Secretaria de Diversidade Cultural. Após a demissão de Roberto Alvim, no início do ano, a reverenda ocupou interinamente o comando da Secretaria da Cultura.

“Por decisão do Ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antonio, a secretária de Diversidade Cultural da Secretaria Especial de Cultura, Janicia Silva, será exonerada nesta data. Ainda não há nenhuma definição sobre quem irá ocupar o cargo”, diz a nota.

De acordo com fontes, Alvaro Antonio ficou insatisfeito com decisões tomadas por Jane sem o seu conhecimento.

A aliados, ele disse que a pastora agiu com “insubordinação” e “tentou passar por cima” dele. Alvaro Antonio pretende nomear outra pessoa interinamente para assumir o comando da Secretaria até que a atriz Regina Duarte resolva questões pessoais e assuma, enfim, o posto.

Funai

Neto do cacique Raoni e um de seus mais próximos auxiliares, o caiapó Patxon Metuktire, 34, foi exonerado do cargo que exercia na Fundação Nacional do Índio (Funai), em Mato Grosso.

A demissão foi assinada pelo número dois do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), o delegado de Polícia Federal Luiz Pontel e ocorreu apenas 18 dias depois de Raoni ter organizado um encontro na aldeia Piaraçu, na terra indígena Capoto-Jarina, com mais de 600 indígenas.

Indagado pela reportagem se considera a demissão uma retaliação ao trabalho do avô, Patxon disse que sim.

“O presidente Bolsonaro esteve falando muita coisa do meu avô. Entendo que houve algo, tanto que não me comunicaram nada, não explicaram nada”, disse o caiapó.

Ele não recebeu nenhuma ligação ou mensagem da Funai, sediada em Brasília, explicando a exoneração.

Amigo do Onyx

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, escolheu um delegado da Polícia Federal para assumir o cargo de número 2 da Pasta, função que ficou vaga após a demissão de Vicente Santini, na semana passada. O novo secretário executivo, Marcos Paulo Cardoso Coelho da Silva, é amigo de Onyx.

Nova assessoria

Bolsonaro pretende criar uma assessoria especial em seu gabinete e nomear para a vaga um militar, que teria a função de ajudá-lo na coordenação das ações do governo. O convite foi feito ao almirante Flávio Augusto Viana Rocha, atual comandante do 1.º Distrito Naval, no Rio de Janeiro.

Fonte: Diário do Nordeste