Imagine-se num local de reunião de público – clube, boate, estádio de futebol. De repente, rompe-se a normalidade e você precisa sair de onde está e – mais – sair em segurança. Eu perguntaria: ao entrar, teve o cuidado de verificar possíveis rotas de fuga? Sabe se o lugar possui saídas de emergências adequadas e suficientes para todos os frequentadores? Teve a curiosidade de se informar se o local que escolheu para se divertir está de acordo com as normas de segurança? Não! Algo de errado aconteceu e você precisa sair… E agora, o que fazer?

Muitos dos que sobreviveram a acidentes em locais de reunião de público, ocorridos em vários lugares do mundo, asseguram que o treinamento foi vital para que buscassem e conseguissem identificar as saídas existentes. Infelizmente, se respondeu de modo negativo à pergunta feita no parágrafo anterior, você pertence ao grupo da imensa maioria de pessoas que negligenciam e/ou desconhecem regras de segurança e o que fazer em casos onde é necessário sair incólume de grandes aglomerações.

No Brasil, cresce a preocupação com a obrigatoriedade de se discutir o sistema de segurança contra incêndio e, nesse sentido, o comportamento humano é essencial na escolha dos procedimentos adotados. Se no local onde estamos existirem mais de uma saída de emergência, qual delas escolher? Se inexistirem, o que fazer para manter a vida, evitando o pânico e possíveis pisoteamentos? Precisamos estudar e compreender o comportamento humano, suas síndromes, doenças e que fatores psicológicos interfeririam diante de situações adversas e de extremo risco.

Nas empresas, existem planos de emergência, aplicados inopinadamente aos funcionários, que sofrem revisões e adaptações, moldando-se à realidade da edificação. Entretanto, em locais de público flutuante, em virtude da impossibilidade prática de se efetivar esse treinamento, tais medidas se tornam imprecisas e ineficazes, pois a cada evento novas pessoas estarão envolvidas. Daí a importância da consciência preventiva e educativa anteriores à decisão de sair para tais lugares.

As rotas e meios de escape devem proporcionar o acesso, em caso de incêndio, de qualquer ponto da edificação a um lugar seguro, fora da edificação, sem assistência exterior. Rotas projetadas inadequadamente e falhas nos sistemas de alarme, por exemplo, têm ceifado vidas. A instalação de adequado sistema de iluminação de emergência, todavia, mitiga tais riscos, por possibilitar aos frequentadores visibilidade, mesmo durante os sinistros, facilitando a saída dos ocupantes.

Ao entrevistar sobreviventes do incêndio nas torres gêmeas, o National Institute of Standards and Technology – NIST publicou que houve crucial demora antes que iniciassem a reação de fuga. Os entrevistados relataram que perderam tempo desligando computadores, pegando objetos pessoais e telefonando. Na realidade, deveriam ter se dirigido para as saídas de emergência! Para MONCADA (2005), em geral, o ser humano reage lentamente a uma emergência. Em casas noturnas, tal reflexo se agrava, pois alguns dos usuários podem estar sob o efeito do álcool, drogas, música…

O comportamento preventivo, adquirido com treinamento específico, não impede que pessoas treinadas venham a óbito, pois se os sistemas de combate a incêndios não estiverem em perfeitas condições de operacionalidade nem tiverem sido projetados e instalados adequadamente, o risco continuará imenso.

Assim, se estiver num local fechado, atente para:

a) Preventivamente, antes de qualquer anormalidade:

1. Verifique as condições do local onde você está. Trata-se da sua vida e da segurança das pessoas que possam estar com você: amigos, familiares.

2. Ao entrar no estabelecimento você se sentiu seguro? As portas de saída são largas e abrem para fora, no sentido da fuga?

3. Sempre que sair para locais de reunião de público informe a parentes e, se possível, identifique aqueles que estariam disponíveis para contato, se necessário.

4. Identifique as saídas existentes e tente fazer mapa mental, imaginando por onde sairia em caso de pânico. Muitas vezes, a saída principal fica congestionada e o conhecimento de saídas secundárias pode significar a diferença entre a vida e a morte.

5. Depois de identificar as saídas, verifique se estão desbloqueadas. Se estiverem trancadas/bloqueadas, retire-se do local e registre queixa – essa atitude garantirá a sua sobrevivência e evitará que outros morram por incapacidade de saírem do local, quando da ocorrência de acidentes e pânico.

b) Diante de acidentes que obriguem a fuga:

1. Se a edificação possuir sistema de alarme e for acionado, saia imediatamente do prédio, sem correria.

2. Percebendo fumaça ou qualquer tipo de anormalidade, antecipe-se ao pânico e saia imediatamente, sem correria.

3. Se conseguir sair não retorne em nenhuma hipótese. Chame o Corpo de Bombeiros e deixe que apenas profissionais qualificados atuem e resolvam o problema.

4. Se necessário abrir portas, toque-as antes de abri-las.

5. Sinta a temperatura e verifique se há pressão, de fora para dentro do ambiente.

Lembre-se: as tragédias ocorrem pela sucessão de inúmeros pequenos erros. F

aça a sua parte!

Até a próxima semana!

Nijair Araújo Pinto – Major QOBM

Comandante da 1ª Seção de Bombeiros do 4º GB/Iguatu