As entidades que integram o Sistema S estiveram reunidas em café da manhã com parlamentares da bancada federal cearense. O objetivo era apresentar os resultados da organização em 2018, além de promover uma aproximação com agentes de Brasília. Contudo, apenas cinco deputados federais do Ceará compareceram.

“Esse encontro é muito importante para a gente compreender as ações, as atividades e a importância que o Sistema S tem para a formação, capacitação e preparação dos nossos trabalhadores e trabalhadoras e para o setor industrial”, afirma o deputado federal José Airton (PT).

O encontro ocorre em um contexto de especulação quanto a possíveis cortes de repasses de recursos, por parte do Governo Federal, ao Sistema S. Essa redução é uma das bandeiras defendidas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Ainda durante a transição, o economista declarou que era necessário “meter a faca no Sistema S”.

“Neste momento de retomada da economia, me deixa ansioso o Governo falar em cortar de quem mais pode ajudar nesse momento. Se os números falam que a gente pode crescer 1,5% ou 2%, no ano que vem, a gente só cresce se tiver qualificação profissional”, afirma Ricardo Cavalcante, presidente da Federação de Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Além do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (Sesi), vinculados à Fiec, estiveram representados na reunião gestores do Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac); Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar); Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo.

Foi a primeira vez que eles estiveram reunidos em um encontro com a bancada federal parlamentar. “Eu participo do Conselho Nacional do Sebrae e da CNI e não conheço uma atitude como essa que nós começamos, de nós mostrarmos para a sociedade, unidos, o que o Sistema S representa para o Estado do Ceará”, afirma Cavalcante. Ele espera que o exemplo seja seguido em outros estados.

“Quando a gente mostra para a sociedade e para o legislativo (as nossas ações), nós estamos reforçando não só a nossa imagem como as ações que são desenvolvidas, o que fortalece o sistema”, concorda Maurício Filizola, presidente da Fecomércio.

Defesa

Os parlamentares que estiveram na reunião colocaram-se à disposição para defender o Sistema S de possíveis cortes.

“Nós temos essa missão de formar trincheiras, porque de vez em quando vem algumas iniciativas que visam ao enfraquecimento do Sistema, o que é absolutamente impensável. O Sistema S, com a expertise que tem, é indispensável para que o Brasil volte a crescer”, aponta André Figueiredo.

Aliados ao Governo Bolsonaro, Roberto Pessoa (PSDB) e Heitor Freire (PSL), também saíram em defesa da importância da organização na qualificação de profissionais. “Nós estamos aqui para conhecer melhor, para defender melhor e para não acontecer esses cortes. Como foi perguntado aqui: se o Sistema S se acabar, quem vai qualificar as pessoas?”, ressaltou o tucano.

Freire admitiu que não conhece os argumentos de Paulo Guedes para uma redução de recursos, mas pretende conversar com a equipe econômica do Governo Federal sobre o assunto.

“Mas, pessoalmente, eu já me posiciono como um defensor do Sistema S e da indústria”, garantiu. Ele afirmou, ainda, que qualquer iniciativa desse tipo terá que passar pelo Legislativo, que terá como missão melhorar a proposta.

José Airton projeta que a bancada cearense deve atuar não só para impedir os cortes, mas para fazer o Palácio do Planalto “compreender o papel estratégico que o Sistema S tem para a sociedade”.

Fonte: Diário do Nordeste