No intuito de convocar a sociedade para assumir a responsabilidade de prevenir e enfrentar o problema da violência sexual praticada contra crianças e adolescentes em Iguatu, a Secretaria de Assistência Social da cidade, através do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), apresentou nesta semana o número elevado de casos registrados de casos confirmados que elevam os números quando confrontados com do ano passado.

Números

A assistente social Camila Machado relata que apenas nos últimos dois meses – outubro e novembro – ingressaram no serviço 7 novos casos de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual. “Estes são os casos que conhecemos. Os números podem ser maiores com os casos que chegam diretamente à polícia. A maioria deles não chega até as redes de proteção como CREAS, CRAS, Conselho Tutelar, ou Ministério Público”, explica Camila.

O quantitativo já é maior que do ano passado inteiro quando foram registrados 6 casos. “Nesse sentido, o alerta é fundamental para coibir esses crimes. Como unidade pública da política de Assistência Social, onde são atendidas famílias e pessoas que estão em situação de risco social ou tiveram seus direitos violados, o CREAS atende principalmente aos casos informados diretamente por algum membro familiar e pelos canais de denúncia”, acrescentou Camila.

Acompanhamento

O atendimento e acompanhamento das vítimas são feitos a curto, médio e longo prazo, mediante a análise de cada caso, que pode ser feito em grupo ou individual. Um trabalho realizado por uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogos e assistentes sociais. “O objetivo deste equipamento é fortalecer o caráter protetivo das famílias acompanhadas, trabalhando na superação da violência e prevenção de novas ocorrências. E percebemos que, na maioria dos casos atendidos no CREAS, os abusadores são próximos à vítima”, afirma Nathalia Freitas, psicóloga.

O equipamento acredita que a elevação do índice se deve ao comportamento espelho. “A partir do momento em que se fala mais sobre um assunto que é tido como tabu, e que casos não podem ficar impunes acreditamos que as mais pessoas sintam-se encorajadas a denunciar fatos como esses”, afirmou Nathalia.

Como reconhecer

A também psicóloga Thais Caldas citou os mais vários sinais que podem ser observados na criança ou adolescente vítima de abuso. “A mudança de comportamento, perda de apetite ou do sono, ficar medrosa, perda do rendimento escolar, ansiedade, choro ou tristeza constante. Além de estar atento a essas mudanças de comportamento, o CREAS reforça ainda que o diálogo entre pais ou responsáveis e filhos é essencial nesse processo”, citou.

Denúncia: disque 100

Apesar de o dia 18 de maio ser uma data de marco da luta contra o abuso sexual de crianças e adolescentes, a assistente social Kamila Saraiva ressalta que os cuidados e alerta para o tema precisam ser diários. Para isso, qualquer pessoa que suspeitar que haja algum indício de crime sexual contra criança ou adolescente, deve fazer uma denúncia através do Disque 100. A ligação é gratuita e anônima. “Como são casos que acontecem diante de muito silêncio, é difícil o cidadão ter certeza de que o crime está acontecendo. Aí está a importância da denúncia para que as medidas de proteção à vítima sejam tomadas imediatamente, bem como a responsabilização do abusador”, explica a assistente social.

O equipamento traça um plano de articulação até o final do ano com a rede de proteção, visando a promoção para geração de formas de enfrentamentos no combate aos casos de abusos.