Repercute nas redes sociais a denúncia contra o comando militar da cidade de Iguatu e outras 14 cidades. A notícia inicialmente veiculada na rádio Mais FM, parte de uma pessoa que afirma ser pertencente aos quadros de oficiais do 10º Batalhão de Polícia Militar.

O reclame pontua que o comando leva vantagem financeira da inciativa privada em troca de segurança, que a sede da representação de segurança local estaria com a estrutura física deficitária e falta de equipamentos de uso diários como viaturas e coletes de proteção. Com a prerrogativa jornalística em utilizar o sigilo da fonte, o denunciante teve sua identidade preservada. Ele teme sofrer sanções penais e afirma que a situação gera incômodo em seus colegas de farda. “Nós policiais estamos incomodados com atual situação vivenciada pelo município. Tudo que vem acontecendo causa revolta na tropa. Muitos [militares] não falam temendo represália ou punição”, disse.

Escolta

Conforme o suposto militar que disse ser de Iguatu, o atual comandante do batalhão é diretamente beneficiado com valores mensais oriundos de empresas de transportes de valores em troca de escolta policial. “Essa troca gera um valor para o comandante. Todo mês ele recebe uma quantia. Todos os policiais internos sabem. Ao invés de estar preocupado com a segurança de nossa cidade e região, ele volta as atenções para a escolta de dinheiro de bancos em carros-fortes. Houve situações que a guarda acompanhada ocorreu em cidades que nem pertencem à área de atuação do batalhão local”, denunciou.

A conduta da denúncia é creditada ao tenente-coronel Paulo Tibúrcio, comandante da unidade militar. O denunciante assinala uma falta de estrutura e incentivo para o combate ao crime. “Não temos a liberdade para atuar em denúncias diretas e diárias que chegam até nós. Ele nos prende em pontos bases do seu interesse. Vamos para escoltas em viaturas sem condições para o tipo de ocorrência, o que compromete ainda mais, desguarnecendo o policiamento ostensivo da cidade”, afirmou.

Ouça por meio do player abaixo trecho da denúncia

 

Outro ponto que incomoda o denunciante é que o alto investimento recente em segurança ofertado pelo Estado esbarrou, segundo ele, na ingerência do comandante. “Não temos coletes a prova de bala, suficientes. Hoje se tem um colete para cada 10 policiais. Não temos condições mínimas para exercer uma atividade salutar em nossa sede, onde existem banheiros imundos. As viaturas em sua maioria comprometidas. Um relatório feito pelo setor de veículos foi impedido de chagar à cúpula de segurança, para que viaturas novas ou seminovas chegassem até nós. Isso motivado para barganhar junto ao comércio e políticos locais dinheiro para manutenção desses veículos” pontuou.

Resposta

O tenente-coronel afirmou ser infundados os pontos apresentados pelo delator. Ele disse acreditar ser ligado ao crime com a prerrogativa de desestabilizar a tropa usando os meios de comunicações de maneira irresponsável. O oficial afirmou que está disposto a prestar qualquer tipo de esclarecimento. “Não tem fundamento. E não se tem provas. Quem apresenta uma situação de forma anônima, dizendo que é policial, está ligada ao crime com interesse direto. Não acredito que seja policial. Mas toda instituição tem sua banda pobre e atrelado a isso tem seus interesses inclusos”.

O militar afirma que tal denúncia esteja ligada ao incômodo e à série de intervenções em prol do bem-estar social e resposta imediata com operações programadas. “Realizamos diversas blitze saturações, operações de combate ao tráfico. Apreendemos mensamente 26 armas de fogo além de drogas em grande escala. E isso incomoda quem é do mal e não quer o bem. Nossos números e estatísticas comprovam que estamos num caminho certo”, disse.

O coronel afirmou que com ajuda de Associação de Cabos e Soldados, os departamentos do quartel receberam restruturação. “Os alojamentos foram climatizados, destinamos colchões novos vindos de Fortaleza. O quartel é limpo. Funcionários terceirizados pelo estado mantêm a ordem. Retiramos os carros que eram apreendidos pela justiça e ficavam acumulados encaminhando para outro setor, tudo em prol de um melhor ambiente”, disse.

Ouça a entrevista com o comandante

Sobre as escoltas de empresas privadas, o coronel afirmou que os estouros em bancos causam incômodo de maneira direta à polícia. “Quando um banco estoura, causa prejuízos a toda população. Não tiramos o patrulhamento da rua. Para isso existe o POG (Policiamento Ostensivo Geral) diuturnamente nos bairros. A Força Tática é setor mais especializado que vai para esse combate independente para qualquer pessoa ou instituição”, disse.

O oficial afirmou que os trabalhos continuarão e negou a falta de equipamentos de proteção. “Os coletes que possuímos são suficientes. Já fomos informados que novos coletes chegarão junto com uma pistola para cada militar. A tropa está motivada. Obedecemos a folgas, repouso de tempo de serviço. Nossa missão é liderar e não chefiar”, concluiu.

CGD

Diante de tamanha repercussão e manifestações de políticos da cidade e região, há possibilidades que a denúncia seja protocolada na Controladoria Geral de Disciplina que atua no objetivo exclusivo de apurar responsabilidade disciplinar de todos os servidores integrantes do grupo de atividade de polícia judiciária, policiais militares, bombeiro militares e agentes penitenciários, além de e aplicar sanções cabíveis.