O avanço do novo coronavírus despertou diversas iniciativas de solidariedade no Brasil e no Mundo. No interior do nosso Estado não é diferente. Em Juazeiro do Norte, um designer de produto está fabricando face shields — escudos faciais — para os profissionais de saúde se protegerem de um possível contágio. Na terra do Padre Cícero, até agora, há um caso confirmado de Covid-19 e outros 30 suspeitos.

A iniciativa de Jorge Bandeira, 36, que trabalha com modelagem e impressão 3D, foi inspirada em modelos criados na Itália, que mostraram eficácia ao evitar que profissionais de saúde tocassem em sua própria face e proteger do contágio por saliva, tosse ou espirro de pacientes infectados. “Eu já vinha acompanhando as notícias internacionais, sabendo da gravidade da doença e de como o pessoal ia fazendo o combate”, explica.

Os responsáveis por criar o escudo facial na Itália, para difundir a tecnologia, lançaram um manual é inglês com informações técnicas para reprodução do produto. “Foi aí que o vírus chegou no Brasil”, conta o designer. Foi através de um fórum de modeladores 3D do Brasil inteiro que Jorge teve acesso ao material traduzido e estudou a produção do equipamento de proteção. “Imprimi e vi que funcionava. Fiz um protótipo”, descreve.

A estrutura das máscaras é impressa na máquina 3D. Em seguida, é feito um corte único dos acetatos. Por causa do material, uma das vantagens do escudo facial é a sua reutilização. Podem ser lavados com água e sabão ou álcool em gel.

Até agora, Jorge conseguiu produzir 20 unidades que serão doadas para o Hospital Regional do Cariri, equipamento que se tornou a referência no tratamento dos casos graves de Covid-19 para a região do Cariri e Centro-Sul do Estado. O designer acredita que as peças serão entregues amanhã.

Além disso, em parcerias com o campus de Juazeiro do Norte do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), a Prefeitura e outro designer 3D, outras quatro máquinas trabalham simultaneamente para garantir mais unidades de escudo, já que a produção é lenta: cerca de 10 por dia. “Recebo muitas mensagens de pessoas querendo comprar, mas não estão à venda. Precisamos ajudar”, enfatiza.

Fonte: Diário do Nordeste