Depois de 2 anos e quatro meses sem disputar em casa, a seleção feminina de futebol mostrou ao público que está de volta. Com bastante apoio da torcida, as brasileiras derrotaram a seleção Argentina por 5 x 0, no primeiro dia do Torneio Internacional de Futebol Feminino, no estádio do Pacaembu, em São Paulo. A partida marcou o primeiro jogo da seleção depois da Copa do Mundo da França e também o primeiro sob o comando da técnica sueca Pia SundhageSA. Com o resultado, o Brasil disputará a final do torneio, no próximo domingo.

Com o desfalque de importantes jogadoras como as atacantes Marta, Cristiane e a meio-campo Thaisa, a equipe venceu sem muitas dificuldades. Mesmo que com pouco tempo de adaptação à nova técnica, a seleção conseguiu colocar em prática algumas jogadas pontuadas por Pia – como a rápida saída de bola e fechamento da defesa. Nos últimos dias, a técnica deu muita ênfase em jogadas de linha de fundo e foi o que a atacante Bia Zaneratto fez: arrastou para o fundo e deu para Ludmilla, que com bastante velocidade, marcou o primeiro gol aos 18 do primeiro tempo.

A veterana Formiga fez o segundo, num ótimo cruzamento vindo de Andressa Alves. As brasileiras abriram vantagem com 35 minutos de bola rolando no Pacaembu no terceiro gol, marcado por Debinha. Já na etapa final, apesar de o Brasil ter diminuído o ritmo em campo, vieram mais dois gols para as donas da casa: com a camisa 13, a defensora Erika e um gol contra da argentina Junco.

Andressa Alves falou sobre o bom desempenho da equipe e a vitória em cima das hermanas: “Trabalhamos muito a agilidade, a rapidez nesses últimos três dias. A Pia pediu muito isso, que a gente roubasse a bola e partisse para o contra-ataque. Acho que conseguimos fazer muito bem o que ela pediu hoje. E claro, ganhar da Argentina é melhor do que ganhar de qualquer seleção, né.” – brincou a camisa 7.

ESTREIA COM O PÉ DIREITO

Um pouco antes do início da partida, curiosamente o público gritava: “Pia! Pia!“. Bastante animada, ela acenava para os brasileiros que ali prestigiavam a seleção sob seu comando. Elogiada, tanto pelas jogadoras quanto pelos torcedores, Pia se mostrou bastante animada com o futuro da equipe. A cada gol, um pulo da sueca, que parece ter tornado o clima mais leve e otimista entre as jogadoras.

Sempre simpática, durante coletiva ela conversou com jornalistas após o jogo e disse que ficou muito satisfeita, mas que pretende melhorar o ataque pelas laterais. Questionada sobre a ausência da artilheira Marta, ela falou: “ ainda que ela seja a melhor do mundo, Marta precisa da equipe. É muito importante o trabalho de todo o time que hoje jogou muito, muito bem. Esse time, além de ter muita técnica, tem coisas especiais. Vamos trabalhar muitas prioridades.”

Andressa Alves contou que, depois do jogo, o clima era de festa: “A gente se reuniu no final do jogo, ela nos deu os parabéns, disse que a gente fez um excelente jogo e que está muito feliz com o desempenho que estamos demonstrando.”

Apresentada no fim de julho, a bicampeã olímpica pela seleção dos Estados Unidos, Pia Sundage, surgiu como uma esperança de renovação para a equipe brasileira, que busca melhores resultados nos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020. E já no primeiro jogo mostrou um pouco da filosofia que pretende empregar com as atletas. Aos poucos, ela vem implantando um estilo de jogo, sem mudar as características das jogadoras, mas sim valorizando a presença de área e o comportamento ofensivo em campo. “Ela gosta muito de transição. Fica o tempo inteiro sinalizando, querendo que a gente saia. Inclusive, uma palavra que ela já aprendeu em Português foi ‘sobe, sobe!’ e ela usa bastante”, brincou a zagueira Erika.

Na última semana, a sueca precisou acionar as meias Victória Albuquerque (Corinthians) e Aline Milene (da Ferroviária) por conta dos desfalques da meio-campo Thaisa (Milan) e a atacante Marta (Orlando Pride), que foram cortadas do torneio, por conta de lesão.

Fonte: O Povo