A força do pop rock nacional dos anos 1980 e 1990 ainda reverbera no gosto musical do público brasileiro. A dimensão do sucesso comercial e da influência de nomes como Paralamas do Sucesso e Skank mantém esses artistas, até hoje, presentes na programação dos grandes festivais de música. E de sexta (31), até domingo (2 de fevereiro), o festival I’Music acontece nesse fluxo, no estacionamento do Shopping Iguatemi (Edson Queiroz).

Além de nomes do pop rock nacional, o I’Music 2020 também traz medalhões e artistas novos da MPB. Na programação de abertura, a cantora Giulia Be (RJ), o cantor Silva (ES) e a veterana Marisa Monte (RJ) apresentam-se. No sábado (com ingressos já esgotados), os mineiros do Skank e os veteranos Alceu Valença e Zé Ramalho são as atrações. E, no domingo, Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá (Legião Urbana); os Paralamas do Sucesso e o Jota Quest encerram o festival.

Em clima de despedida, o Skank talvez faça seu último show em Fortaleza. Em novembro passado, o grupo anunciou que faria sua última turnê em 2020. Samuel Rosa (voz e guitarra), Lelo Zanetti (baixo), Henrique Portugal (teclado) e Haroldo Ferretti (bateria) já tocam projetos paralelos e agora finalizam um ciclo de 30 anos.

“Toda mudança acaba deixando saudade de algumas coisas e também abre caminho para novas. Acredito que criamos uma bela história e vamos dedicar este ano para comemorar”, vislumbra o tecladista Henrique Portugal.

Trajetória

Os mineiros se inseriram no cenário pop da música brasileira com o estouro de “Calango”, seu segundo disco (1994). O álbum trazia sucessos como “Pacato Cidadão”, “Te Ver” e “Jackie Tequila”. Sem perder a referência de algumas bases da sonoridade da banda, o Skank criou sua obra a partir de um reggae contemporâneo e colecionou hits emplacados pelas FMs e trilhas de novela.

Para Henrique, o fim do grupo não impedirá que o público descubra outros apelos da obra do Skank. “Ao meu ver, ‘O Samba Poconé’ (1996) é um grande álbum com canções muito interessantes que ficaram ofuscadas com o sucesso de ‘Garota Nacional’ e ‘É uma partida de futebol’. Adoro a música e o arranjo de ‘Sem Terra’, que contou com a participação do Manu Chao”, exemplifica.

O tecladista conta que, depois do anúncio da turnê de despedida do Skank, a banda já sentiu novas reações do público. “Depois que começamos a turnê dos ‘Três Primeiros’ (disco ao vivo, de 2018), já sentimos uma mudança no público, mas agora é muito mais forte”, reforça.
A exemplo da fala do vocalista Samuel Rosa quando anunciou a despedida, Henrique Portugal faz coro à chegada do “novo” na carreira artística dos mineiros. Na estrada há 30 anos com o Skank, eles parecem afinados, agora, pela necessidade de respirar outros ares.

“O novo é um elemento importante na vida de todo mundo. Na minha opinião, ficar parado e repetir o que já foi feito é a morte criativa. Sou inquieto, atualmente tenho um projeto com o Lelo e o Dj Anderson Noise, que se chama Nie Myer. E vamos tocar na Alemanha em março”, antecipa Henrique.

Reputação

Em outra direção, sem nem cogitar uma despedida, os Paralamas do Sucesso retornam a Fortaleza mais uma vez e confirmam a reputação de “banda de estrada”. Segundo o baterista João Barone, o único plano do trio carioca para 2020 é dar conta da frequente demanda de shows da formação icônica dos anos 1980.

Barone, Bi Ribeiro (baixo) e Herbert Vianna (voz e guitarra) lançaram o último disco de canções inéditas há dois anos (“Sinais do Sim”) e devem apresentar no I’Music um set repleto de clássicos, como “Meu Erro”, “Uma Brasileira”, “Trac Trac” e “Lanterna dos Afogados”. Em paralelo, o trio também tem preparado um novo show dedicado a esses sucessos. O espetáculo estreia em março, no Circo Voador (RJ).

“Estamos fazendo shows na periferia do Rio, e isso atende muito nossa demanda de trabalho. A gente este ano, com certeza, deve começar a ver alguma coisa inédita, mas sem nenhuma pressão e hora marcada”, revela João Barone.

No fim de 2019, a obra do Paralamas foi uma das pontas de lança do novo disco de Ney Matogrosso, “Bloco na Rua”. A versão do cantor para “O Beco” (faixa de “Bora-Bora”, 1988) foi o primeiro single do álbum.

“Já faz um tempo que ele incluiu essa música no repertório dele. Pra gente, é uma grande honra. É impressionante ele e aquela voz como se tivesse começado a carreira ontem (risos). É um alento ver um cara com a longevidade dele ainda instigante no palco. É o tipo de coisa que inspira a gente”, endossa o baterista.

No I’Music, a banda toca na mesma noite de Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá, remanescentes da Legião Urbana e contemporâneos de cena musical nos anos 1980.

Amigos de longa data, eles, no entanto, não têm nada programado para apresentar juntos em Fortaleza. Em turnês passadas, era comum o Paralamas tocar uma versão de “Que País é Esse”, da Legião. “Se acontecer alguma coisa, vai ser surpresa. É um festival, então cada banda precisa entregar direitinho seu set list. Mas quem sabe”, observa Barone.

Serviço
I’Music 2020
De sexta (31) a domingo (2 de fevereiro), no estacionamento laranja do Shopping Iguatemi (Av. Washington Soares, 85, Edson Queiroz). Abertura dos portões: 17h (sexta) e 16h (sábado e domingo). Ingressos: R$ 50 a R$ 200 (por dia). Contato: bilheteriavirtual.com.br

Fonte: Diário do Nordeste