Não existe receita ou padrão de comportamento para lidar com a perda de um ente querido. Porém, os sentimentos que emergem com o luto são dor e vazio. Por isso, muitas pessoas tentam superar esse momento, para abreviar o sofrimento. Para minimizar a dor dessas pessoas, o Hospital São José (HSJ), do Governo do Ceará, oferece apoio com o Ambulatório de Perdas e Luto.

Na unidade hospitalar, o serviço é acompanhado por psicólogos que apoiam aqueles que passam por esse processo de perda para ajudá-los a ressignificar suas dores. Luciana (nome fictício), Fátima e Ydinara não se conhecem, mas suas histórias de superação passam pelo Hospital São José.

Na mochila, Luciana Alves (nome fictício), de 41 anos, traz de Limoeiro do Norte, medicamentos que precisa tomar enquanto espera o atendimento psicológico. “O diagnóstico foi como uma sentença de morte. Passei dias de luto. Com o início da terapia antirretroviral, comecei também a ser acompanhada pela psicóloga. Hoje, sigo a vida muito bem. Saí daquele luto. Estou vivendo”, afirma com um sorriso de quem recomeçou.

“É comum o luto começar no diagnóstico. É aí que começamos o cuidado. Precisamos cuidar da pessoa para que ela possa se cuidar da melhor forma”, afirma Simone Santos, psicóloga do Ambulatório de Perdas e Luto do HSJ.

Fátima Marques, de 65 anos, também é atendida no ambulatório. Ela segue no processo de recomeço após perder o emprego. “Quando eu perdi meu emprego, foi terrível. Eu fiquei de luto sim. Não me alimentava mais e estava muito triste. Procurava um tratamento ou seria pior. Meu marido me incentivou e eu comecei aqui. É claro que eu ainda sofro quando lembro do meu emprego, mas até essas lembranças ficaram menos doloridas com esse acompanhamento”, conta Fátima.

“Não existe perda menor ou maior, pois ela vai de acordo com o vínculo existente. Nós trabalhamos junto aquele sofrimento pela perda. É um processo que leva tempo. Pensando nisso há um ano o HJS conta com a Ambulatório de Perdas e Luto”, reforça a psicóloga.

Atendimento
Podem ter acesso ao serviço, pacientes, familiares, cuidadores e funcionários do Hospital São José. Ydinara Paz, nutricionista do HSJ, que tem como rotina visitar diariamente pacientes graves, muitos deles em UTI para elaborar criteriosamente a alimentação, repetiu o toque de acolhida que geralmente faz nesses pacientes, no próprio pai. Depois de um AVC, aquele homem forte, ficou frágil e a profissional de saúde teria que cuidar de um grande amor da sua vida, o Seu Ayrton, de 77 anos. “Meu pai era muito protetor, de minha mãe e dos filhos. Muito trabalhador. Meu pai sempre dizia para seguirmos com força e coragem. Com essa força criou e formou quatro filhos”, fala com saudade a nutricionista que perdeu o pai em agosto deste ano.

“No momento mais difícil, quando alguém está diante de um ente que está morrendo, a gente fala de vida, a gente fala do cuidar da vida de quem ficou, para que a pessoa siga com um propósito, um sentido de vida. Para que possamos salvar a sua existência. Preencher esse vazio com lembranças, amor, gratidão por ter vivido com esse ente, tudo isso sendo costurado com uma linha de amor” reforça a psicóloga do HSJ.

“Não é fácil perder um pai. Mas já comecei a conviver com as lembranças. O apoio que recebi no Hospital São José está sendo fundamental para mim e meus filhos. Essa força para seguir em frente a gente recebe aqui e leva para casa”, conta a nutricionista.

Serviço
Ambulatório de Perdas e Luto
Funcionamento: terças e quintas-feiras
Local: Hospital São José (Rua Nestor Barbosa, 315 – Parquelândia)
Agendamento: (85) 3101.2343

Fonte: Governo do Estado do Ceará