Após cinco quedas consecutivas – e apresentar o pior resultado da série histórica, em fevereiro -, o nível de confiança dos empresários cearenses apresentou leve recuperação em março. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) cearense subiu 2,3 pontos atingindo 44,0 pontos, ou seja, ainda se situa abaixo da linha divisória entre otimismo e pessimismo. O índice se encontra abaixo do indicador apresentado em igual período de 2014 (- 14,7 pontos) e da média histórica iniciada em 2007(- 17,3 pontos), segundo o levantamento elaborado pelo Núcleo de Economia e Estratégia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec),  divulgado ontem.

 

A falta de confiança mostra-se cada vez mais presente entre os empresários brasileiros. Segundo a Fiec, o Icei nacional atinge a terceira queda mensal consecutiva, sendo o mais baixo resultado da série histórica, chegando ao patamar dos 37,2 pontos. Se comparado a março de 2014, o índice brasileiro registra uma queda de 15 pontos, além de apresentar uma queda de 19 pontos em relação à média histórica.

Para o Icei cearense, o segmento de construção apresenta resultado superior à indústria de transformação, resultado similar à comparação nacional. Entre os portes, o menor nível de pessimismo encontra-se nas indústrias de grande porte, com indicador 1,5 pontos acima da média.

Avaliação

Para Guilherme Muchale de Araújo, economista do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará (Indi/Fiec), os indicadores mostram que o pessimismo do setor industrial cearense em fevereiro apresentou um nível exagerado e que chegava ao nível observado em relação aos empresários brasileiros. No entanto, em março, houve um distanciamento desse grau de pessimismo dos empresários brasileiros, mas, mesmo assim, “os indicadores mostram que o empresariado local está extremamente preocupado com a situação – e que isso é fruto da desaceleração econômica brasileira, e as previsões de retração do PIB brasileiro tem se elevado semana após semana”, destacou.

Entretanto, ele avalia que o empresário local ainda consegue ver a economia do Ceará com um pouco de dificuldade, de diferenciação em relação à economia nacional, “fruto desses últimos anos em que o Estado apresentou uma taxa de crescimento diferenciada do País”, pontuou o economista. De qualquer forma, “a gente está em uma situação que merece uma atenção muito grande do setor público, no sentido de, realmente, se esforçar para que novas ações em prol da competitividade do setor industrial sejam lançadas”, ressaltou Muchale.

Mais afetados

Alguns setores têm sofrido muito, nos últimos meses, como o setor têxtil, que está prejudicado pela elevação do custo de energia e, também, pelos custos do óleo diesel – uma vez que o algodão ou é importado ou vem da região Centro-Sul, de caminhão – elevação dos custos da matéria-prima e insumos, afirma Guilherme. Além disso, o economista aponta que esse é um setor que tem sofrido com muita concorrência. “A gente ainda não consegue dizer, claramente, se a desvalorização cambial vai conseguir compensar essa elevação de custos. Os setores mais voltados para o consumo no Sul e Sudeste, regiões que têm sofrido muito com a retração econômica, tendem a ser os mais prejudicados e, consequentemente, mais pessimistas”, enfatizou. Por outro lado, os setores voltados à exportação podem ser beneficiados muito com essa desvalorização cambial, na avaliação do economista.

Perspectivas

“O que a gente tem visto é que, em março, os industriais ficaram um pouco mais animados com as perspectivas para a demanda”, disse Guilherme, acreditando que os empresários tenham notado que a queda da demanda, para este mês de março, não seja tão grande, “ou seja, que a retração no mercado interno, pelo menos até o final do ano, talvez, o industrial esteja acreditando que o final da crise esteja próximo”. “A gente está, atualmente, na pior situação possível, mas a tendência, para os próximos seis meses é que consigamos vislumbrar uma situação econômica melhor e, consequentemente, uma demanda maior pelos produtos e o setor industrial acabe ficando menos pessimista”, finalizou o economista.

 

Fonte: O Estado CE