Entendimento sobre a morte encefálica, quando é possível a doação de múltiplos órgãos e tecidos, é essencial para familiares autorizarem que seus entes queridos recém-falecidos possam salvar várias vidas.

Um assunto doloroso, mas que pode resultar em um ato de coragem e solidariedade. A doação de órgãos de uma só pessoa pode salvar várias vidas. Para isso ser possível, é necessário o consentimento familiar que, de acordo com profissionais da saúde, é fruto de uma peça fundamental no quebra-cabeças da vida: o diálogo. Com o tempo, o acesso à informação transforma a mentalidade de possíveis doadores e familiares, o que é perceptível no número de transplantes feitos no Ceará na última década. No ano passado, foram 1.535 procedimentos, ante 760, em 2009.

Do momento em que familiares recebem a notícia da morte de um ente até a decisão pela doação de seus órgãos, várias nuances são levadas em conta diante de um processo que precisa ser acompanhado de perto. É este o trabalho da enfermeira Aline Alves, 32, responsável pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do Instituto Doutor José Frota, em Fortaleza.

Para a profissional, a proximidade com os familiares de pacientes é fator decisivo para a doação acontecer. “Nós entramos em contato com a família desde o primeiro momento em que é aberto o protocolo de morte encefálica para criar um vínculo. É importante que eles tenham segurança. A gente esclarece todas as dúvidas. É importante que eles entendam que a morte encefálica significa a morte do seu ente querido e que outras vidas podem ser salvas”, pontua.

A iniciativa de enfermeiros e médicos do hospital, aliada ao trabalho de uma equipe de psicólogos e assistentes sociais, fez com que o índice de consentimento familiar para doações no IJF, unidade referência na captação de órgãos, atingisse a marca de 84% em 2018, um crescimento de 10 pontos percentuais em relação a 2016, quando o número era 74% positivo. Aline Alves atribui este fato à mudança de mentalidade e solidariedade da sociedade sobre o tópico: “quando elas entendem, elas doam”.

Acolhimento

A morte encefálica, que significa a parada de todas as funções cerebrais do corpo, é que mais resulta em doações pela possibilidade de aproveitamento de múltiplos órgãos. Este tipo de morte, de acordo com a enfermeira, é a que mais acontece no IJF, por ser uma unidade de saúde com grande quantidade de traumas como quedas, acidentes de trânsito e lesões de caráter violento. O contato com as famílias nestes casos é primordial, segundo explica Aline Alves. “Cada família reage de maneira diferente à morte. Nós damos o tempo que for necessário e ficamos em silêncio o quanto a família quiser. É momento muito delicado. Após todo o esclarecimento e expressão das emoções, é que nós ofertamos a possibilidade da doação”. Conforme ela, a vontade de doar já é expressa pela própria família.

É o caso de Maria de Lourdes de Carvalho, 72 anos. O neto Emerson Iuri, de 21 anos, teve morte cerebral confirmada em maio deste ano após complicações devido a seu quadro de saúde, enquanto portador de hidrocefalia congênita. Ela consentiu a doação dos órgãos do neto. Mais do que isso, sugeriu a ação. “Ele passou três dias internado, não se mexia e não tinha nenhuma reação. Quando o médico me falou que ele teve morte cerebral a primeira coisa que eu pensei foi ‘vou doar os órgãos’ dele. Me perguntaram e eu autorizei”, relata a idosa.

Dona Lurdinha, como gosta de ser chamada, definiu a doação como “ato mais sublime e de coragem”. “Foi com o coração”. E com o coração, o fígado, as córneas e o fígado de Emerson outras pessoas puderam viver. Ela, que possuía a guarda judicial do neto, o relembra com alegria e espera que esta felicidade seja repassado para quem recebeu os órgãos do jovem.

“Ele precisava de muita assistência medica. Ele tinha o raciocínio lógico prejudicado, mas uma coisa que ele desenvolvia bem era a memória. Ele era muito conhecido e uma pessoa querida pelo bairro. Todo dia ele passeava de cadeira de rodas pela rua. Quando ele faleceu, todo mundo ficou comovido”.

Um assunto doloroso, mas que pode resultar em um ato de coragem e solidariedade. A doação de órgãos de uma só pessoa pode salvar várias vidas. Para isso ser possível, é necessário o consentimento familiar que, de acordo com profissionais da saúde, é fruto de uma peça fundamental no quebra-cabeças da vida: o diálogo. Com o tempo, o acesso à informação transforma a mentalidade de possíveis doadores e familiares, o que é perceptível no número de transplantes feitos no Ceará na última década. No ano passado, foram 1.535 procedimentos, ante 760, em 2009.

Do momento em que familiares recebem a notícia da morte de um ente até a decisão pela doação de seus órgãos, várias nuances são levadas em conta diante de um processo que precisa ser acompanhado de perto. É este o trabalho da enfermeira Aline Alves, 32, responsável pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do Instituto Doutor José Frota, em Fortaleza.

Para a profissional, a proximidade com os familiares de pacientes é fator decisivo para a doação acontecer. “Nós entramos em contato com a família desde o primeiro momento em que é aberto o protocolo de morte encefálica para criar um vínculo. É importante que eles tenham segurança. A gente esclarece todas as dúvidas. É importante que eles entendam que a morte encefálica significa a morte do seu ente querido e que outras vidas podem ser salvas”, pontua.

A iniciativa de enfermeiros e médicos do hospital, aliada ao trabalho de uma equipe de psicólogos e assistentes sociais, fez com que o índice de consentimento familiar para doações no IJF, unidade referência na captação de órgãos, atingisse a marca de 84% em 2018, um crescimento de 10 pontos percentuais em relação a 2016, quando o número era 74% positivo. Aline Alves atribui este fato à mudança de mentalidade e solidariedade da sociedade sobre o tópico: “quando elas entendem, elas doam”.

Acolhimento

A morte encefálica, que significa a parada de todas as funções cerebrais do corpo, é que mais resulta em doações pela possibilidade de aproveitamento de múltiplos órgãos. Este tipo de morte, de acordo com a enfermeira, é a que mais acontece no IJF, por ser uma unidade de saúde com grande quantidade de traumas como quedas, acidentes de trânsito e lesões de caráter violento. O contato com as famílias nestes casos é primordial, segundo explica Aline Alves. “Cada família reage de maneira diferente à morte. Nós damos o tempo que for necessário e ficamos em silêncio o quanto a família quiser. É momento muito delicado. Após todo o esclarecimento e expressão das emoções, é que nós ofertamos a possibilidade da doação”. Conforme ela, a vontade de doar já é expressa pela própria família.

É o caso de Maria de Lourdes de Carvalho, 72 anos. O neto Emerson Iuri, de 21 anos, teve morte cerebral confirmada em maio deste ano após complicações devido a seu quadro de saúde, enquanto portador de hidrocefalia congênita. Ela consentiu a doação dos órgãos do neto. Mais do que isso, sugeriu a ação. “Ele passou três dias internado, não se mexia e não tinha nenhuma reação. Quando o médico me falou que ele teve morte cerebral a primeira coisa que eu pensei foi ‘vou doar os órgãos’ dele. Me perguntaram e eu autorizei”, relata a idosa.

Dona Lurdinha, como gosta de ser chamada, definiu a doação como “ato mais sublime e de coragem”. “Foi com o coração”. E com o coração, o fígado, as córneas e o fígado de Emerson outras pessoas puderam viver. Ela, que possuía a guarda judicial do neto, o relembra com alegria e espera que esta felicidade seja repassado para quem recebeu os órgãos do jovem.

“Ele precisava de muita assistência medica. Ele tinha o raciocínio lógico prejudicado, mas uma coisa que ele desenvolvia bem era a memória. Ele era muito conhecido e uma pessoa querida pelo bairro. Todo dia ele passeava de cadeira de rodas pela rua. Quando ele faleceu, todo mundo ficou comovido”.

Via Diário do Nordeste

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