Engana-se quem acha que apenas o Hospital Geral e Sanatório Penal Professor Otávio Lobo possui equipamentos prontos para um atendimento ao interno do sistema prisional cearense. Os presídios e cadeias cearenses têm atendimento imediato para quaisquer ocorrências que aconteçam nas unidades. Em 2019, mais de 143 mil atendimentos ocorreram nas mais diversas especialidades. Apenas no odontológico foram mais de 70 mil atendimentos aos internos.

Todas as unidades prisionais do estado contam com uma rede de saúde que tem no seu quadro médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, dentistas, farmacêuticos, auxiliares de farmácia e psicólogos. Além dos profissionais, as unidades prisionais são equipadas com desfibrilador (aparelho que reanima o paciente ao dar choque no coração), monitoramento de batimentos cardíacos e material de entubação, para garantir os primeiros atendimentos de imediato. Caso a situação seja mais grave, o preso é encaminhado para uma unidade de saúde mais próxima.

Atualmente são 33 médicos, 42 enfermeiros, 88 técnicos de enfermagem, 20 cirurgiões dentistas, 12 auxiliares em saúde bucal, seis farmacêuticos, dois bioquímicos, quatro auxiliares de raio-x, 20 auxiliares de farmácia, 20 psicólogos, 25 assistentes sociais, três nutricionistas, dois fisioterapeutas e três terapeutas ocupacionais.

Além disso, o quadro de profissionais é ampliado com os especialistas em outras áreas, que atuam em dias específicos para atender as demandas. São psiquiatras, traumatologistas, ginecologistas, pediatras (atendimento para as crianças das detentas que ficam na creche localizada no Instituto Penal Feminino Auri Moura Costa), infectologistas e fisioterapeutas.

O coordenador de execução da saúde prisional no Ceará, Francisco Alencar, destaca a melhoria e crescimento do setor em 2019. “Os presos tiveram uma melhor distribuição e facilitou nosso serviço. Fizemos mutirões para atender todos que vieram do interior. Realizamos exames, testes rápidos, e os que foram diagnosticados com alguma patologia começaram de imediato o tratamento”, ressalta Alencar.

Não há diferença no atendimento

Atualmente no Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II, a enfermeira Marilac Bezerra cita como é a relação entre o atendimento externo e para pessoas privadas de liberdade. “Não vejo diferença, na verdade até tem, acho que eles querem até mais se consultar do que muitas pessoas que são livres. Trato da melhor forma possível e tenho um retorno com muito respeito deles comigo”, avalia.

No IPPOO 2, o quadro conta com dois enfermeiros, quatro técnicos de enfermagem, dois médicos, um psicólogo, dois dentistas e uma assistente social. Marilac também ressalta que cada detento que entra na unidade, apesar de ter passado antes pelo Centro de Triagem e Observação Criminológica (CTOC), passa por uma nova bateria de exames.

A preocupação com o estado de saúde do detento também reflete na alimentação. Os internos que têm doenças crônicas como diabetes e hipertensão recebem uma alimentação balanceada, de acordo com a dieta feita pelo nutricionista.

CTOC

O interno que chega no sistema penitenciário cearense é encaminhado para o Centro de Triagem e Observação Criminológica. A unidade é responsável por fazer toda uma avaliação primária do detento. Nos primeiros momentos, ele recebe uma avaliação médica geral. A coordenadora de saúde da unidade, Zilah Barreira, explica como é realizado todo o processo. “Primeiramente ele passa pelo fluxo de saúde. É uma consulta de enfermagem, odontológica, psicológica e o suporte do assistente social. Durante a avaliação com o enfermeiro nós realizamos os testes rápidos de HIV, Sífilis, Hepatite B e C. Logo depois, realizamos a busca de sintomáticos respiratórios para descobrir casos de tuberculose”, detalha.

Além dos testes realizados para o aprisionado, o programa de atenção básica, que é realizado no posto de saúde regular, também é abordado no CTOC. Os testes de hipertensão e diabetes são realizados e encaminhados para a consulta médica.

Os técnicos de enfermagem também são profissionais essenciais para o prosseguimento correto dos internos. Os profissionais são responsáveis pela verificação dos sinais vitais, realização de curativo, administração do medicamento oral, endovenosa EV e intramuscular e a dosagem supervisionada do TB e o uso dos psicotrópicos.

Acreditar no outro é a grande missão da psicóloga Rute Mendes. Ela vê a abstinência e a ansiedade como a grande vulnerabilidade dos internos que chegam na unidade. “Os casos que chegam são mais de ansiedade pelo momento que estão vivendo e o destino deles nessa situação. Então vejo a minha profissão como uma contribuição para que eles acreditem um novo caminho, após o cumprimento da sua pena, é possível”, relata.

Em 2019, no CTOC foram 11.238 atendimentos de assistência social, 6.975 atendimentos médicos, 57 procedimentos de enfermagem, 600 doenças sexualmente transmissíveis identificadas, 12.317 procedimentos odontológicos e 4.585 atendimentos psicológicos.

Fonte: Governo do Estado do Ceará