O monsenhor Afonso Queiroga recebeu o diploma ‘Amigo dos Ciganos’ da Associação de Preservação da Cultura Cigana do Ceará. O sacerdote integra o quadro da Diocese de Iguatu e tem um trabalho de apoio aos povos ciganos, em defesa de sua cultura, memória e contra preconceitos e discriminação social que a comunidade enfrenta. “Fiquei muito feliz com a comenda de reconhecimento ao nosso trabalho”, disse o religioso.

Há comunidades ciganas no Ceará em 56 municípios e o governo do Estado começou a fazer um mapeamento desses núcleos, cuja maior fica localizada na zona rural.

Os ciganos da região Centro-Sul do Estado contam com o apoio irrestrito do padre Afonso Queiroga, um defensor desta minoria étnica e que representa no Ceará a Pastoral dos Povos Nômades – que inclui ciganos, circenses e parquistas.

Ex-vigário geral da Diocese de Iguatu e ex-reitor do Seminário Diocesano de Iguatu, o padre despertou o interesse para a cultura cigana na infância.

“Era menino no Interior, em Mombaça, e ficava fascinado vendo eles passarem em grupos. Aquela imagem ficou em mim. Já como padre, assumi a Paróquia de Catarina. Foi nessa cidade que conheci alguns ciganos e procurei me inteirar da maneira como eles viviam”, relata.

Engajamento

De acordo com o religioso, o engajamento mesmo ocorreu ao participar de um encontro de casais da Igreja em Aracaju, onde conheceu dom José Édson de Oliveira, que era presidente da Pastoral dos Povos Nômades. “No encontro, falei do meu interesse por esse povo. De pronto, ele me mandou um vasto material para trabalhar. A partir daí, comecei a estreitar o meu relacionamento com eles”. Ele explica ainda que em Catarina, realizou uma confraternização em maio de 2009, mês em que é comemorado o Dia Nacional dos Ciganos.

“Convidei as autoridades da cidade para um grande encontro. Foi a primeira investida para quebrar um pouco desse enorme preconceito que existe. Todos puderam falar, expor suas ideias”.

A iniciativa lhe valeu a fama de “padre dos ciganos” e o convite para ir até Souza, na Paraíba, local onde a presença cigana é bem significativa. “Lá existem três grandes ranchos. Pude passar três dias com eles, o que me deu muita experiência. Senti o quanto eles têm um espírito religioso, devocional. Adoram o padre Cícero, frei Damião e outros personagens da Igreja, como San Ceferino Gimenez de Malla, o primeiro santo cigano reconhecido pela Igreja Católica, de origem Kalon espanhol”.

Padre Afonso Queiroga se disse impressionado com o respeito que os ciganos têm pelos idosos e crianças. “Interessante é que a devoção religiosa é tamanha que eles adoram o batismo. Outro aspecto a destacar é a união familiar. Tanto é verdade que, quando uma família se muda, geralmente todas as demais vão juntas”.

Em relação às desavenças, têm uma postura fechada. “Apesar do respeito e amizade, nunca me chamaram ou permitiram que eu interviesse em qualquer querela ou disputa entre eles. Nesse ponto, são bastante reservados”.

Fonte: Diário Centro Sul

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