A música dos povos originários do Brasil foi escolhida como tema da 22ª edição do Sonora Brasil, o maior projeto de circulação musical do Brasil e realizado pelo Sesc há 20 anos. Dia 17 de julho, o circuito chega ao Ceará com a visita das etnias indígenas Kariri-Xocó, de Alagoas, e Fulni-Ô, de Pernambuco. O intercâmbio inicia na Aldeia do Povo Tapeba, em Caucaia, e segue por mais quatro cidades.

Os concertos do Projeto Sonora Brasil abordam aspectos históricos da música brasileira e, neste circuito, os sons ancestrais, instrumentos ritualísticos, assim como os cantos e danças sagradas para estes grupos indígenas são reconhecidas como elementos fundantes da cultura do País.

Nesta quarta-feira (17), às 16h, os Tapebas recebem os parentes indígenas em sua aldeia. As boas-vindas serão dadas com o toré e as danças da tribo de Caucaia. Em seguida, o Grupo Dzubucuá, formado por dez representantes do Povo Kariri-Xocó, mostram os ritos da tribo que vive na região do baixo São Francisco, em Alagoas.

Os torés expressam a espiritualidade de cada tribo com movimentos e música. Os Kariri-Xocó utilizam os buzos (espécie de flauta), maracás de mão e de tornozelos. No repertório estão também os rojões, que já fazem parte da tradição musical deste povo e são um reflexo do trabalho nas fazendas e da dinâmica de trocas culturais ocorridas na região. As letras cantadas em português possibilitam conhecer um pouco da história do povo, falando do cotidiano dos indígenas nas colheitas ou nos dias atuais, ou trazendo sincretismos religiosos e remetendo ao tempo da colonização quando eram obrigados a praticar suas tradições secretamente.

A segunda apresentação é do Grupo Memória Fulni-Ô (PE), que trazem as músicas tradicionais: toré e a cafurna. O primeiro segue um cântico coletivo sem letra e com instrumentos de sopro e percussão e simboliza a união da tribo. As cafurnas, em yaathe unakesa, são manifestações de sentido múltiplo, pois se referem à dança, à música, aos modos de cantar, à profecia, ao estilo e tradição e à estética. São cantadas e acompanhadas de maracás de mão e de tornozelo e retratam a realidade e o contexto indígena, tratando de temas que abrangem aspectos como preservação da natureza, reverência aos animais da região e identidade indígena.

No Ceará

O circuito do Sonora Brasil acontece de 17 a 22 de julho e passa por cinco cidades. No dia 17/7, às 16h, na Aldeia dos Tapebas, em Caucaia. No dia 18/7, os grupos se apresentam às 19h30 na Praça Mais Infância, na cidade de São Benedito. No Dia 20/7, na Praça da Matriz em Iguatu, às 9h. Em 21/7, às 18h na ONG Beatos, na cidade do Crato e no último dia 22/7, em Juazeiro do Norte, na Comunidade dos Índios Cariri.

Sobre o Sonora Brasil

Considerado o maior projeto de circulação musical do Brasil. Ao longo de 20 anos, o projeto contou com a participação de 85 artistas/grupos, totalizando 481 músicos participantes, e foram realizadas mais de 6.000 apresentações em cerca de 150 cidades brasileiras.

Sobre o Sesc

O Sesc, instituição integrante do Sistema Fecomércio, oferece ações de Educação, Cultura, Esporte, Lazer e Promoção Social. Os trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, empresários e seus dependentes são os beneficiados pelo Sistema, mas os serviços também podem ser acessados pela população em geral.

Fonte: Diário Centro Sul