Acusado de envolvimento com facções criminosas por André Fernandes (PSL), o deputado Nezinho Farias (PDT) disse nesta terça-feira, 18, que abriu mão de seus sigilos fiscal e telefônico ao Ministério Público do Estado (MPCE).

Se dizendo “indignado” com as acusações “irresponsáveis” do colega, Nezinho disse que está disposto a ser investigado e desafiou Fernandes a renunciar ao mandato caso a apuração do MP não aponte qualquer irregularidade contra ele. “Se tiver um indício de ligação minha com facção eu renuncio (…) agora, quero ver se ele renuncia se estiver errado”, disse.

“Não cheguei ontem aqui por causa de redes sociais (…) eu tenho 60 anos, mais de 30 anos de vida pública, para ter meu nome jogado na lama dessa maneira? Eu não posso aceitar isso, em respeito a essa Casa e ao meu mandato”, disse Nezinho, em fala no plenário da Assembleia.

O deputado lembrou ainda do histórico de ataques de André Fernandes contra outros parlamentares e cobrou resposta do Conselho de Ética da Assembleia no caso. “Ontem foi com a deputada Dra. Silvana (PR), depois com o Fernando Hugo (PP), agora é comigo. Até quando? Até quando vamos aceitar isso?”, questiona.

“Facções criminosas”

Na última sexta-feira, André Fernandes apresentou denúncia contra o colega junto ao MPCE. Na ação, o deputado do PSL diz que já vinha recebendo denúncias contra o deputado Nezinho Farias, mas decidiu levar o assunto à Justiça após o mesmo parlamentar apresentar um projeto de lei que teria relação a essa acusação.

“Este parlamentar tomou conhecimento de que haveria algumas irregularidades envolvendo colega deputado da Assembleia Legislativa, supostamente envolvido com o fortalecimento de Facções Criminosas, inclusive com a lavagem de dinheiro por meio da realização de ‘Jogo do Bicho’”, diz a proposta.

Acontece que a proposta citada por Fernandes não trata de jogo do bicho, mas sim da regulamentação dos E-sports, modalidade esportiva de jogos eletrônicos. “Isso é um absurdo. O próprio deputado que me acusa votou a favor dessa matéria na Comissão de Constituição e Justiça. Não faz nem sentido”, diz.

Fonte: O Povo