Desperta apreensão o ambicioso plano de ampliação da matriz nuclear brasileira, que inclui a construção de mais seis usinas e investimentos de US$ 30 bilhões até 2030. Embora apresente viabilidade econômica, a geração nuclear também embute sérios riscos ambientais.

Os acidentes históricos de Three Mile Island (EUA), Chernobyl (Ucrânia) e, mais recentemente, Fukushima (Japão), em 2011, ainda devem ser lembrados como exemplos da falibilidade do setor. Não se trata, portanto, de uma preocupação obtusa, gerada por falta de conhecimento técnico e científico. É inquietação amparada em fatos. Sabe-se que, matematicamente, as chances de incidentes são baixas, mas uma ocorrência que desafia probabilidades pode causar prejuízos incalculáveis.

O Brasil aprendeu lições com as recentes tragédias de Mariana e Brumadinho que devastaram as duas cidades?

Se o caso Mariana tivesse se tornado um marco para mudanças na segurança do setor de mineração, talvez Brumadinho hoje estivesse intacta.

O problema central é que o País negligencia a prevenção e também incorre em erros graves no pós-tragédias. Os dois episódios avassaladores à vida humana e à natureza evidenciam a fragilidade das autoridades em garantir segurança e dirimir riscos, e isto embasa os calafrios quanto ao novo programa nuclear.

O Ceará precisa estar incluso nas discussões. Rica em urânio, a mina de Itataia, em Santa Quitéria, voltou aos planos da União. Por imbróglios ambientais, o projeto se arrasta há anos. De acordo com especialistas, há risco de contaminação radioativa. A mina já chegou a criar esperanças de renda naquela região pobre do Estado e hoje é vista com desconfiança.

Diversificar a produção de energia é fundamental para que o País seja menos dependente da matriz hidrelétrica. No entanto, é mais prudente investir em fontes como a solar e a eólica, que vêm se tornando exequíveis do ponto de vista econômico e ganhando relevância na composição energética nacional.

Se o Brasil insistir em robustecer o modelo nuclear, precisará incluir a sociedade civil, o Legislativo e a comunidade científica num minucioso debate sobre o tema.

Fonte: Diário do Nordeste

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