Reitor da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Ricardo Ness disse que a instituição dispõe apenas de R$ 30 mil de verba de custeio, quantia insuficiente para honrar contratos no segundo semestre. Nomeado ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) para um mandato de quatro anos à frente da federal, Ness agora espera a posse, em Brasília, ainda sem data.

“Talvez tenhamos R$ 30 mil em caixa disponíveis para fazer pagamento”, informou o reitor. Em abril passado, o Ministério da Educação (MEC) bloqueou quase R$ 9 milhões do orçamento da universidade, que já havia sofrido corte nos repasses de emendas parlamentares que somam R$ 10 milhões. Ao todo, segundo Ness, 47% dos recursos da UFCA estão congelados.

“Mas temos dinheiro para entrar”, esclarece o professor, referindo-se a uma verba de cerca de R$ 10 milhões, livre do contingenciamento feito pelo Governo Federal, mas ainda não assegurada. “Vamos ver se liberam para pagar despesas até o fim do ano. Depende do MEC”, acrescentou. Questionado sobre o futuro da universidade caso a pasta não encaminhe o depósito, o reitor foi categórico: “Se não vier, a situação é crítica. Seria algo desastroso”.

Primeiro da lista tríplice enviada ao Governo em dezembro último, ainda na gestão de Michel Temer (MDB), Ness admite que estava preparado para qualquer resultado — cabe ao presidente escolher um dos três nomes. Submetido inicialmente ao MEC, o documento já estava de posse da Casa Civil de Bolsonaro quando houve troca de guarda na Educação, e Abraham Weintraub substituiu Ricardo Vélez Rodríguez.

“Soube recentemente que todas as listas (para cargos de reitor) haviam retornado ao MEC depois que Weintraub assumiu”, conta Ness. “Eu estava na expectativa. É uma lista tríplice, qualquer um poderia ser nomeado.” Embora reconheça que compete ao chefe do Executivo a prerrogativa de definir o gestor das universidades, o reitor pondera: “Acho que foi respeitada a escolha do coletivo, e isso fortalece a autonomia universitária”.

Sobre os desafios que projeta para a UFCA num cenário de escassez financeira, Ness responde que “a universidade já nasceu em crise econômica” e que houve “outros contingenciamentos tanto nos governos de Dilma quanto no de Temer, mas foram revistos”. Ele complementa: “Agora, fomos pegos de surpresa com a forma como foi colocado esse bloqueio”.

Para o reitor, os efeitos do corte já estão visíveis no dia a dia da UFCA. “Não vamos expandir, como estava planejado”, assinala. “Construção de ambulatórios para atender a comunidade, por exemplo, está suspensa.” Perguntado se acredita ser possível que o MEC reveja a medida, Ness conclui: “Estamos sem interlocução (com o governo). A gente espera construir esse diálogo mostrando resultados”.

Fonte: O Povo