O relatório técnico inicial acerca da inspeção do Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral, após o desabamento de uma marquise, concluiu que a ruína se deu, principalmente, por causa da execução defeituosa da fixação dos chumbadores metálicos (parabolts) da estrutura. O desabamento ocorreu no dia 17 de fevereiro e deixou um funcionário da construção ferido.

 

Chumbador não sofreu torção ou corrosão, segundo relatório Foto: Reprodução

Com o documento em mãos, o relator do processo, conselheiro Rholden Queiroz, prometeu celeridade na análise. A definição de quem relataria o processo se deu nesta terça-feira (26), por sorteio eletrônico, informou o Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE/CE).

O relatório apontou que os exemplares dos chumbadores metálicos analisados não apresentaram ação de torção ou corrosão. “Diante de tal constatação, podemos concluir, indubitavelmente, que teriam sido submetidos, exclusivamente, a ação de uma carga de arrancamento, ou seja, teriam sido sacados das estruturas de fixação”, segundo o documento.

O estudo aponta que houve desgaste do concreto na região dos chumbadores, provocando microfissuras e aumento no diâmetro dos furos de fixação. Assim, o atrito entre a peça e o cimento diminuiu. “Observa-se que a força de atrito opõe-se à força de arrancamento e, uma vez superada a força de atrito, o elemento será arrancado da estrutura do concreto”, esclarece o relatório.

A execução era de responsabilidade do Consórcio Marquise/EIT, de acordo com o Contrato nº 1310/2011, firmado entre a Secretária Estadual de Saúde (Sesa) e o consórcio.  A vistoria dos técnicos do TCE foi solicitada pelo presidente da Corte de Contas, conselheiro Valdomiro Távora, logo após o incidente.

Uma nova inspeção no local foi sugerida no relatório, para que sejam vistoriados os reparos  da marquise, bem como, em todas as outras instalações físicas da unidade hospitalar.

Marquise fora transferida

A vistoria ocorreu em 19 e 20 de fevereiro. De acordo com o relatório, no momento da vistoria, a estrutura metálica da marquise já não se encontrava no local da obra e, na ocasião, foi informado aos técnicos que ela teria sido desmontada e transferida para o canteiro de obra do Consórcio construtor.

Dessa forma,  a vistoria foi desenvolvida em duas etapas, uma  nos pilares de sustentação da marquise e outra no canteiro de obra, com a verificação do estado dos componentes metálicos que compuseram a estrutura metálica da marquise.

A marquise integrava a arquitetura da entrada do Centro de Apoio à Saúde Reprodutiva da Mulher.

Desabamento ocorre em período de ajustes

O Consórcio Marquise/EIT informou, por meio de nota, que reconhece a deficiência na fixação dos parabolts. Contudo, alega que o incidente ocorreu no período próprio aos ajustes técnicos. “A constatação do problema se deu e deu no período vigente de entrega definitiva contratual de 90 dias, próprio à realização de ajustes técnicos”, disse a nota.

A Marquise/EIT afirmou também que o ocorrido foi um problema pontual, o qual “não compromete em nada a estrutura do restante da edificação”. Os reparos devem ser finalizados em 15 dias, sem custo adicional ao Governo do Estado.

Conclusão do relatório

CAUSA: fixação dos chumbadores metálicos (parabolts) no mesmo

sentido da marquise

EFEITO: desgaste dos furos (aumento) no concreto provocado pelos

movimentos próprios das estruturas em balanço, diminuindo a força de atrito entre o concreto e os chumbadores

CONSEQUÊNCIA: arrancamento dos chumbadores metálicos e ruína

da marquise

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com