O remanejamento de 30% dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) pedido por governadores da região à União tem preocupado o varejo cearense. A parcela deixaria de ser repassada ao Banco do Nordeste (BNB), instituição responsável por administrar e destinar a verba às linhas de crédito da instituição, utilizadas principalmente pelo setor de comércio e serviços.

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) do Ceará, Freitas Cordeiro, não vê justificativa para a medida. “Os Estados têm como ir buscar outros repasses que não esses do FNE, que já vêm carimbados e há muito tempo sustentam a nossa atividade mesmo com sacrifício. O capital que recebemos, e agradecemos, são minguados, já não atendem mais a nossa demanda”, aponta. “Não posso dizer que fico alegre e satisfeito com isso. Eu sou radicalmente contra. O comércio certamente será penalizado”, acrescenta Freitas.

Endossando o posicionamento de Cordeiro, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza, Assis Cavalcante, afirma que os recursos devem ficar com a iniciativa privada. “É quem tem know how, quem sabe fazer e é preparado para isso. A expertise do poder público é receber os impostos e dar a contrapartida. A do setor privado é justamente fazer crescer, desenvolver e gerar riquezas”, aponta.

Preparação

O superintendente regional do BNB, Rodrigo Bourbon, destaca que o banco já está preparado para caso o remanejamento se confirme. “O banco dispõe de valores em tesouraria e tem buscado ampliar os fundos de recursos para aplicação, para que, em eventual redução do FNE, o banco ainda seja relevante e coloque à disposição do empresariado por condições justas e diferenciadas”.

Bourbon aponta que, para este ano, o volume de dinheiro do fundo aplicado deve ser 12% maior que no ano passado (R$32,4 bilhões). “O orçamento do banco tem origem em numerários provenientes do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e do Imposto de Renda. Somados ao pagamento de operações, o banco utiliza para fomentar a economia”, detalha.

Segundo o superintendente, o setor de comércio e serviços têm puxado os recursos com maior vigor. “Nossa conversa é mostrar o que o banco tem de ações para 2019, de inovações de produtos e serviços para o varejo. E eu acho que a melhor resposta a esse possível remanejamento de capital é demonstrar que o banco continua sendo eficiente na aplicação para o empresariado, para o agente produtivo, que é onde a gente entende que dinamiza a economia”.

Fonte: Diário do Nordeste

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