Foi realizada na manhã desta quinta-feira, 16, na casa do bispo emérito da Diocese de Iguatu, dom José Mauro Ramalho, uma reunião com o objetivo de dar continuidade aos trabalhos de coleta de dados e depoimentos sobre Maria Augusta, que foi assassinada pelo próprio pai, em 23 de junho de 1965, aos 14 anos, após resistir a tentativas de sedução, no sítio São Joaquim, zona rural deste Município, na região Centro-Sul do Ceará.

Em novembro de 2017, o bispo da Diocese de Iguatu, dom Édson de Castro Homem, determinou que o pároco da Igreja Matriz de Senhora Sant’Ana, Carlos Roberto Alencar, colhesse depoimentos de parentes e amigos de Maria Augusta e de pessoas que relatam graças alcançadas por intercessão dela.

Participaram da reunião, o bispo emérito, dom José Mauro Ramalho, os padres, João Batista Moreira, Gilberlândio José da Silva, monsenhor Afonso Queiroga, o ex-prefeito, Elpídio Cavalcante, e o promotor de Justiça, Leidomar Nunes Pereira.

“Vamos elaborar um documentário a partir de relatos de pessoas que conviveram com Maria Augusta, com aquelas que relatam graças, curas alcançadas”, disse José Elpídio Cavalcante.

O bispo emérito, dom José Mauro Ramalho, espera avanços nos trabalhos e chama Maria Augusta de “a nossa santinha”.

O promotor de Justiça, Leidomar Nunes Pereira, está em busca do processo sobre o crime de Maria Augusta e Elpídio Cavalcante em busca de notícias nos jornais da época.

A ideia do bispo é, a partir da coleta de relatos e de outras fontes históricas, analisar a possibilidade de abertura do processo de beatificação, que deve ser autorizado pela Santa Sé. Em novembro de 2017, dom Édson de Castro explicou: “Não há comissão oficial criada. Pedi ao padre Roberto Alencar que colhesse informações. Não há pressa e não é um assunto fácil”.

Túmulo mais visitado

O túmulo de Maria Augusta é o mais visitado no Cemitério Senhora Sant’Ana, nesta cidade, ao longo do ano e, em particular, no Dia de Finados. As pessoas depositam flores, acendem velas e fazem orações. Há dezenas de relatos de graças alcançadas. Recentemente, uma família fez uma reforma na sepultura por agradecimento. Outros fazem a visita, mesmo sem conhecer bem a história da tragédia familiar que repercutiu em Iguatu em meados da década de 1960.

O escritor Cícero Cruz, que publicou um livreto sobre a vida de Maria Augusta, em 2009, acredita que a vinda de um piloto argentino a Iguatu, na década de 1970, com um relato impressionante, despertou a atenção dos moradores, que começaram a visitar o túmulo. “Houve um acidente aéreo. O piloto fez uma prece e conseguiu pousar a aeronave sem vítimas e viu uma jovem na asa do avião que teria dito ser Maria Augusta de Iguatu”, contou. “Esse homem visitou Iguatu, conversou com parentes, contou a história e queria construir uma capela, mas infelizmente não guardaram dados sobre ele”.

Cruz fez entrevistas e publicou a obra motivado pelos relatos da história e das graças alcançadas que ouvia da avó, da mãe e de visitantes ao túmulo. “Há uma senhora que colheu vários relatos, está idosa, e um dia me disse: ‘Meu filho, temos uma santa em Iguatu’. Isso demonstra a crença e a fé de muitas pessoas”. Segundo as informações do escritor, a maioria das promessas é feita para cura em crianças e adolescentes.

O padre João Batista, pároco da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Iguatu, disse que o bispo mostrou-se interessado em conhecer mais a fundo a história. “Essa é uma questão que deve ser tratada com muito cuidado, mas, à primeira vista, nos remete a um tema muito atual, a violência contra a mulher e a criança”, pontuou. “Por outro lado, há o resgate da devoção popular, que é natural, nasce do povo e a Igreja só dá o reconhecimento”.

Testemunho

O irmão da vítima, Raimundo Augusto contou que passou pelo pai, José Augusto da Silva, na época com 58 anos, momentos antes do crime, vindo para a cidade. A irmã, estava em casa, na zona rural. “Momentos depois soube do ocorrido e vim com a Polícia e vi minha irmã morta, a golpes de roçadeira”, contou emocionado. “Mamãe falava para a gente sobre as intenções de papai, mas ninguém acreditava”.

O crime ocorreu em 23 de junho d 1965. Maria Augusta tinha 14 anos de idade.

José Augusto fugiu e foi preso no sítio Ambrósio, em Acopiara, após perseguição policial. Foi transferido para Fortaleza e até hoje a família não tem informação sobre o pai. A mãe, com quatro filhos homens e duas mulheres passaram a morar na cidade de Iguatu.

Fonte: Diário Centro Sul