Nos dias 27 e 28 de setembro acontece no Centro de Formação Paulo Freire, em Caruaru, o Seminário do Grupo de Trabalho em Desenvolvimento Regional do Projeto Brasil Popular. A atividade junta integrantes de movimentos populares, organizações sociais, estudantes e professores da região Nordeste para debater propostas para a região e que também irão compor o Projeto Brasil Popular.

Destacando elementos do impacto da realidade internacional, Jaime Amorim, membro da direção do nacional do MST, destacou a longa crise que o capitalismo vive em escala mundial incidindo sobretudo em países periféricos e na exploração de seus bens naturais. “Uma disputa vai se configurando com o aumento da crise, além da exploração da natureza, a retirada completa de direitos dos trabalhadores em perspectiva internacional. Na América Latina era preciso derrubar os governos progressistas para implementar os ajustes econômicos neoliberais”, afirma.

Ainda analisando a crise econômica e seus impactos no Brasil, Milena Prado, do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), caracteriza a crise também como um reordenamento do lugar do capital e do trabalho na sociedade contemporânea. Para ela, “um dos motivos do golpe que derrubou a presidenta Dilma em 2016 era percepção do mercado de que o Brasil era um país onde se havia direitos demais e precisavam acabar, daí a aprovação da reforma trabalhista no governo de Michel Temer e da MP da liberdade econômica mais recentemente. O pacote de maldade se completa se a reforma da previdência for aprovada”. Sobre o desemprego crescente no país, ela aponta que “em uma economia que não cresce vivemos um desemprego de longa duração, as pessoas ficam muito tempo desempregadas e quando voltam ao mercado estão em condições precárias”.

Jonas Duarte, professor da Universidade Federal da Paraíba apresentou os impactos do capitalismo no semiárido brasileiro e, consequentemente, o impacto de suas crises, relacionando a questão regional com a crise nacional e internacional. “Nós passamos a nos inserir no capitalismo brasileiro como uma região fornecedora de mão de obra. O nosso povo do Semiárido durante muito tempo foi a mão de obra barata no sudeste, uma expressão disso é a própria trajetória do ex-presidente Lula”, continua Jonas. Segundo o professor, esses migrantes eram expulsos por uma estrutura criada para expulsar e as políticas públicas eram criadas para alimentar essa lógica, isso durou com mais intensidade até o fim dos anos 1980.

“A partir do anos 1990 as grandes fazendas no Nordeste fecharam e viraram assentamentos de trabalhadores sem terra, espaços de reforma agrária, fruto da luta camponesa. São mais de quatro mil assentamentos no semiárido nordestino e, a partir daí, a mudança na região é quantitativa e qualitativa”. Jonas finaliza saudando a iniciativa do Consórcio Nordeste de governadores, “politicamente nós temos que pautar esses governadores à esquerda, contra o desmonte do Estado brasileiro”.

Ronaldo Pagotto, integrante da Direção Nacional da Consulta Popular e da coordenação do Projeto Brasil Popular, explica que um dos objetivos da iniciativa é reunir intelectuais e integrantes de movimentos populares para pensar propostas que tem como horizonte a soberania nacional. “Estamos preparando a primeira síntese do Projeto para debater com a sociedade”.

Fonte: Brasil de Fato