O alerta para a prevenção do câncer de mama, para o qual as atenções se voltam durante o Outubro Rosa, veio de uma das maneiras mais fortes possíveis para a social media Patrícia Azevedo, 25: com o aparecimento de um nódulo no seio. Na manhã do último domingo, ela se uniu a outras dezenas de meninas em atividades na Praia do Titanzinho, no bairro Serviluz, Regional II de Fortaleza, para atividades alusivas à prevenção da doença – em 2018, atingiu cerca de 2,2 mil mulheres cearenses, conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

“No mês passado, encontrei um nódulo no meu seio e fiquei bem preocupada. Mas, felizmente, o exame deu negativo. É muito importante falar sobre esse tema, a escolinha abranger isso, porque tem gente que não tem informação sobre isso. A mulher se conhecer é muito importante”, alerta Patrícia, mencionando a Escola de Surf Duda Carneiro, da qual é aluna há cerca de quatro meses.

“Sempre tive vontade de aprender a surfar, mas sempre tive receio. Surgiu a oportunidade, por conta de amigos, e conheci a escola toda. É incrível a experiência. Tô amando, até porque a escolinha não ensina só o surfe, mas tem essas ações também”, elogia. A instituição local organizou e promoveu palestra, limpeza de praia e aula de surfe, ontem, para atrair o público da comunidade e de outros bairros para falar sobre saúde.

A empresária, e uma das organizadoras do evento, Nágila Alves, 37, explica que atividades semelhantes são realizadas no bairro, periodicamente, pela escolinha, mas que o foco no Outubro Rosa foi inédito. “Foi a primeira vez que atentamos para isso. Todo mundo fala no assunto, publica nas redes sociais, mas, a fundo, ninguém sabe o que é o Outubro Rosa. Apesar de ter muitas meninas novas na escolinha, também quisemos trazê-las para atrair as mães, as tias, incentivar o autocuidado e a procurar um médico”, pontua Nágila Alves.

Causa

A manhã de atividades teve início com uma palestra-depoimento da jornalista Mariane Barros, 36, cuja irmã foi diagnosticada com câncer de mama há quatro anos. “Na época, ela tinha 44 anos, idade fora daquela considerada como de maior probabilidade de ter a doença. Foi um câncer muito raro e agressivo, tanto que descobrimos quando ainda tinha um centímetro, mas foi preciso tirar as duas mamas”, relembra.

Hoje, Márcia Lima, irmã de Mariane, “está superbem e curada”: a doença partiu, mas a lição sobre prevenção ficou. “Isso fez com que eu me sensibilizasse muito pra todo tipo de causa. A gente passa a atentar mais pra isso depois que vivencia uma situação dessa tão de perto. Às vezes, a gente esquece de se cuidar: nós, mulheres, cuidamos de tudo, mas não de nós. Então, esse momento é pra lembrar da importância do autoexame, procurar ginecologista periodicamente”, frisa a jornalista.

Para a maquiadora Lorena Cavalcante, 26, que “ama praia e se encontrou no surfe”, alertar jovens e adultas sobre um “assunto tão relevante” por meio do esporte, dentro da comunidade, é de suma importância. “Tô na escolinha há um mês, gosto muito do processo de aprendizagem, de todo o cuidado. E, nesse caso, mais importante do que falar, é você se engajar na causa. O câncer de mama é um problema muito sério e real”, reconhece a jovem.

Além da palestra e do aulão de surfe, que contou com pelo menos 25 meninas inscritas, a programação incluiu, ainda, distribuição de brinquedos às crianças da comunidade.

Fonte: Diário do Nordeste

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